[ m i s s i v a ] 
não tenho nenhum herói nem aquele da esquina
que fuma cigarros sem parar em um filme de bergman
aliás nem entendo o que é ser diplomático mesmo
o olhar já não é mais tão certeiro em desvendar auden
milagres nunca existiram o dalai lama é um cara de sorte
o tempo dispara contra a existência de minhas esperas
talvez qualquer dias desses digo para alguém que a amo
as ruas sempre insistem em me ocultar o que não existe
ouço thelonious monck na sala meio escura e me embriago
largo tudo e tento compreender o vazio que me preenche
mesmo sabendo que será diferente o que vou encontrar
não tenho pretensões lendas nunca me encantaram
às vezes sou o que um dia de chuva é para os demais
em cima da mesa várias cartas sem responder
B i o q u e M e s i t o é poeta, maranhense, nascido sob o sol de aquário em 3 de fevereiro de 1972. Possui participações em várias coletâneas de poesia. Faz parte do Grupo Curare de Poesia. Possui lançado o livro de poesias “A Inconstante Órbita dos Extremos”. bioquemesito@gmail.com
Escrito por Bioque Mesito às 19h49
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[ m u i t a s l u a s n a t e s t a d o s e n d e i r o ]
dos intestinos da percepção
recende o mistério das parábolas veladas
o hálito da cegueira
espalha patadas absurdas
nos costados do homem que alimenta um crucificado
alguns libertos das coisas fúteis
lançam no abismo do esquecimento
pregos enferrujados
arrancados ao madeiro dos dogmas
plantados nas almas bestas
novos dados são lançados ao acaso das existências
um faminto sol respira no vespeiro das almas
nunca dantes navegadas
o tecelão de enigmas
inaugura alquímico abecedário nas pedras inconsúteis
que fulejam
no azouguento parto de um novo cálice
é hora de beber outro vinho
P a u l o M e l o S o u z a é poeta, maranhense, nascido em 06 de maio de 1960. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Maranhão. Poeta atuante no cenário da poesia maranhense. Fundador dos Grupos “Poeme-se” e “Graal”. Possui lançado os livros de poesias “Oráculo de Lúcifer” e “Visagem”. paulomelosouza@ig.com.br
Escrito por Bioque Mesito às 19h32
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[ a g o r a ]
a manhã é linda
quando é silêncio
e se arrastam móveis pela casa...
(Toda a ilha
agora
é distante
áspero
moer de ruídos de instantes,
por sobre
seus sobrados)
um gavião último, em seu vôo
mais alto o agora: um grito
no dia sem telhados
H a g a m e n o n d e J e s u s é poeta, maranhense, nascido em 21 de setembro de 1964. Estudou Letras na Universidade Federal do Maranhão. Faz parte do Grupo Curare de Poesia. Possui lançado o livro de poesias “The Problem e /ou os Poemas de Transição".
Escrito por Bioque Mesito às 18h32
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[ c a s a d a s t u l h a s ]
olho para o céu e não é abril
estamos depois dos ícones
nuvens
restam
plásticas
escancarando no ar feito sacolas – que nos revelam
para o vento –
saudades de Tribuzzi de Nauro de Gullar
da Movelaria Guanabara
e das quitandas que se perderam
sem que eu de nada entendesse
eles estavam por aí e também beberam
esta mesma cachacinha de aroeira
indecisos entre a tarde e o bronze
tornaram-se abril de calçadas moribundas
a crítica se foi, só a ironia
nos resta
no desgaste dos pantheons
e este gole este
gole
e esta tarde fodida
ouço vozes:
já morri
ou nasci
fora dos lábios?
A n t o n i o A í l t o n é poeta, maranhense. Nascido em Bacabal no dia 29 de dezembro de 1968. Formado em Letras pela Universidade Federal do Maranhão. Faz parte do Grupo Curare de Poesia. Possui lançado os livros “As Habitações do Minotauro” ( Poesia) e “Humanologia do Eterno Empenho” ( Ensaio ), ambos vencedores em concursos do "Prêmio Cidade de São Luís", Func/MA. ailtonpoiesis@yahoo.com.br / poemasevendavais.zip.net
Escrito por Bioque Mesito às 18h18
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[ f u n e r a l b l u e s ] 
Pare os relógios, cale o telefone Evite o latido do cão com um osso Emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie a vinda do caixão, seguido pelo cortejo. Que os aviões voem em círculos, gemendo e que escrevam no céu o anúncio: ele morreu. Ponham laços pretos nos pescoços brancos das pombas de rua e que guardas de trânsito usem finas luvas de breu. Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste Meus dias úteis, meus finais-de-semana, meu meio-dia, meia-noite, minha fala e meu canto. Eu pensava que o amor era eterno; estava errado As estrelas não são mais necessárias; apague-as uma por uma Guarde a lua, desmonte o sol Despeje o mar e livre-se da floresta pois nada mais poderá ser bom como antes era.
W. H. Auden é poeta, inglês. Nasceu em York, em 1907. Foi também dramaturgo, editor e ensaísta. Considerado o maior poeta do século XX. Suas principais obras foram “Poemas”, “Espanha”, “A questão”, dentre outras.
Escrito por Bioque Mesito às 16h04
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[ a o s e m u d e c i d o s ]
Oh, a loucura da grande Cidade, quando à noite
junto ao muro negro aleijadas árvores se erguem boquiabertas,
e por uma máscara de prata o Espírito do Mal se ri;
a luz com flagelo magnético a pétrea noite expulsa.
oh, o submerso dobrar dos sinos pelo anoitecer.
prostituta, que em convulsões de gelo pares uma criança
morta.
A ira de Deus chicoteia a fronte do homem possesso,
purpúrea pestilência, fome, verdes olhos quebra.
oh, o horrendo riso do ouro.
Mas quieta na caverna escura uma humanidade mais silente
sangra,
forja no duro metal a redentora cabeça.
G e o r g e T r a k l é poeta, austríaco. Nasceu em Salzburgo em 3 de fevereiro de 1887. Sua obra literária foi composta de peças de teatro e poesia. Uma de suas principais obras foi “Cantos da morte”.
Escrito por Bioque Mesito às 15h50
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[ m u s g o ]
Sonho amarelo da ausência Do alto das telhas ingênuas Aguarda
Aguarda para descer Sobre as pálpebras fechadas da terra Sobre as faces apagadas das casas Sobre as mãos apaziguadas das árvores
Aguarda imperceptível Para a mobília enviuvada Abaixo no quarto Revestir cuidadoso De uma capa amarela
V a s k o P o p a é poeta, sérvio. Nascido em 29 de junho de 1922, em Grébenatz. É um dos mais representativos poetas contemporâneos da Iugoslávia. Suas obras já foram traduzidas para mais de 19 idiomas, sendo considerado uma figura marcante no cenário poético internacional.
Escrito por Bioque Mesito às 15h28
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[ h e g e l i a n a : e n s u r s i s ] 
Não simplesmente um jogo de azar
O fantasma da tua sorte te espreita do nada
Saberá trazê-lo para a vida com mãos racionais?
Ele nunca te aguarda e sempre lá esteve
Sentado, os braços cruzados, a tez amarela
De tanto esperar, e no entanto...
Basta que lhe pense bem os cílios,
Que lhe conquiste o céu da boca,
Para o mundo surgir recomposto,
Para a morte vir brincar nas tuas orelhas
De adolescente.
F e l i p e U c i j a r a é poeta, maranhense. Poeta da mais recente safra da poesia maranhense. É estudante de História na Universidade Estadual do Maranhão. Vencedor do 18º Festival Maranhense de Poesia da Universidade Federal do Maranhão. www.centrovelhodavida.zip.net
Escrito por Bioque Mesito às 19h58
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[ s o n e t o s q u e n ã o s ã o ]
Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha.)
Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra.
H i l d a H i l s t é poeta, paulista. Nascida em Jaú, em 21 de abril de 1930. Sua postura nem sempre compreendida pela sociedade da época, escandalizava. Porém Hilda era assim e foi até o fim. Seus últimos anos de vida se tornou reclusa em sua fazenda. Possui lançados os seguintes livros “Ode Fragmentada”, “Roteiro do Silêncio”, “Sobre a tua Grande Face”, “Fluxo-Floema”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 19h52
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[ e u ]
Nas calçadas pisadas de minha alma passadas de loucos estalam calcâneo de frases ásperas Onde forcas esganam cidades e em nós de nuvens coagulam pescoço de torres oblíquas só soluçando eu avanço por vias que se encruzi-lham à vista de crucifixos
polícias
V l a d í m i r M a i a k o v s k i é poeta, russo. Nascido na aldeia de Bagdádi em 1893. Fez parte de vários movimentos revolucionários, entre eles os bolcheviques. Considerando um dos maiores poetas russos de todos os tempos.
Escrito por Bioque Mesito às 22h08
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[ n o c t í v a g o d i v ã ]
sempre duvido da imagem no espelho
eu que já esqueci a face do demônio
contornada a coleção de postais
meu veneno renega a ousadia da vida
em tudo há uma luz que nos separa
invernos chegam antes nas árvores
no ventre da noite o tempo se esconde
entre falidos narcisos debaixo da cama
B i o q u e M e s i t o é poeta, maranhense, nascido sob o sol de aquário em 3 de fevereiro de 1972. Possui participações em várias coletâneas de poesia. Faz parte do Grupo Curare de Poesia. Possui lançado o livro de poesias “A Inconstante Órbita dos Extremos”. bioquemesito@yahoo.com.br / www.centraldapoesia.zip.net
Escrito por Bioque Mesito às 18h24
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[ c i n e m a ]
é curioso que me sinta assim: fellini felino tudo isso por causa dela nem sei quem é ainda mas quem exige documento de fadas? simplesmente a vi: pasolini pasolinda
C e l s o B o r g e s é poeta, maranhense. Radicado atualmente em São Paulo. Atua como Jornalista Free-Lance nos jornais de São Paulo. Fez parte da “Akademia dos Párias” e editor da Revista “Uns & Outros”. Possui lançado vários livros de poesias “Persona Non Grata”, “XXI”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 18h13
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[ o s p o e m a s ]
Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês. Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão. Eles não têm pouso nem porto; alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti...
M á r i o Q u i n t a n a é poeta, gaúcho. Estudou no Colégio Militar de Porto Alegre. Posteriormente, dedicou-se ao jornalismo, passando a colaborar no Correio do Povo. Encara de maneira autêntica o fato poético, afirmando que escreve atendendo à íntima necessidade. Seus versos são impregnados de sentimentalismo e ternura, proporcionando aos leitores um magnífico deleite literário. A infância destaca-se relevantemente em sua temática. Embora suas obras sejam dignas dos maiores elogios foi, por assim dizer, menosprezado pela crítica nacional, que não reconheceu de maneira efetiva o talento do grande escritor. Suas principais obras são: Sapato Florido, A Rua dos Cataventos, Canções, O Aprendiz de Feiticeiro, Espelho Mágico.
Escrito por Bioque Mesito às 18h11
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[ ó r b i t a c o n t í n u a ]
A existência metafísica da praça se perpetua
a atmosfera transpira suor e chão, na praça a alma pulsa,
labuta, floresce.
Inominável existência
O bêbado deitado no chão, transpõe o invisível
ele é tudo o que gostaríamos de ser e não somos.
Deus temos vergonha de ti e dos anjos
pura sacanagem o sol não ter pousado nas mãos do menino
que nunca sorriu com Robson Crusoé.
O tempo emerge para além da praça
em cada praça um rato constrói sua morada.
R o s e m a r y R ê g o é poeta, maranhense. Formada em Letras pela Faculdade Atenas Maranhense. Apresenta uma importante colaboração na poesia maranhense. Possui lançado o livro de poesias “O Ergástulo Gozo da Palavra”.
Escrito por Bioque Mesito às 00h02
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[ a s c o i s a s ]
A bengala, as moedas, o chaveiro, A dócil fechadura, as tardias Notas que não lerão os poucos dias Que me restam, os naipes e o tabuleiro. Um livro e em suas páginas a seca Violeta, monumento de uma tarde Sem dúvida inesquecível e já esquecida, O rubro espelho ocidental em que arde Uma ilusória aurora. Quantas coisas, Limas, umbrais, atlas, taças, cravos, Nos servem como tácitos escravos, Cegas e estranhamente sigilosas! Durarão para além de nosso esquecimento; Nunca saberão que nos fomos num momento.
J o r g e L u i s B o r g e s é poeta, argentino. Nascido em 1899 na cidade de Buenos Aires. É considerado o maior poeta argentino de todos os tempos e, sem dúvida, um dos mais importantes escritores da literatura mundial. Possui lançados os livros “O Aleph”, “História Universal da Infâmia”, “O Livro dos Seres Imaginários”, “Elogio da Sombra”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 00h01
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[ b l a c k h e a t h ]
A poesia me chama entre as árvores
de folhas incompletas.
O vento é frio, apesar de terno.
Corvos mancham o azul sem peso
desta tarde que não começa.
O trem também me chama.
E não vou.
M a r i a E s t h e r M a c i e l é poeta, mineira. Nascida em Patos de Minas em 1963. É Pós-Doutora em “Estéticas do Artifício: Peter Greenaway e Jorge Luis Borges”. Possui publicados os seguintes livros “O Livro de Zenóbia”, “Memória das Coisas”, “Triz”, “As Vertigens da Lucidez”, “Vôo Transverso”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 00h00
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[ d e s c o n e c t a d o s d e s t i n o s ]
pelas ruas de são luís
ou de outra cidade
paralelas costelas
de fome e frio caminham
multifacetados destinos
que se cruzam
nos sinais fechados
estão lá todos os dias
arremessando seus dados
circos sem lona armam
na contramão de todos
limpam vidros vendem jornais
tentam a todo custo sobreviver
com alguns trocados
B i o q u e M e s i t o é poeta, maranhense, nascido sob o sol de aquário em 3 de fevereiro de 1972. Possui participações em várias coletâneas de poesia. Faz parte do Grupo Curare de Poesia. Possui lançado o livro de poesias “A Inconstante Órbita dos Extremos”. bioquemesito@yahoo.com.br / www.centraldapoesia.zip.net
Escrito por Bioque Mesito às 17h28
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[ n o m e i o d o c a m i n h o ]
No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no mei do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra Tinha uma pedra no meio do caminho no meio do caminho tinha uma pedra.
C a r l o s D r u m m o n d d e A n d r a d e é poeta, mineiro. Nascido em Itabira do Mato Dentro, em 31 de outubro de 1902. É considerado um dos melhores poetas brasileiros. Sua poesia é marcada pelos traços quotidianos, aliado a um lirismo espetacular. Possui publicados os seguintes livros “Alguma Poesia”, “Sentimento do Mundo”, “Brejo das Almas”, “Boitempo”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 17h21
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[ j e a n g e n e t n a f r a n ç a e q u i n o c i a l ]
Em seu exílio imaginário na França Equinocial, o poeta Jean Genet se manteve à margem das homenagens oficiais.
Recusou discretamente o chá da Academia, convite para ministrar Aula Inaugural da UFMA e almoço com o Chefe do Executivo
Mas tornou-se habitué de longas caminhadas noturnas pela devastada Praia Grande, onde era visto com frequência acompanhado pelo fantasma do Erasmo Dias
F e r n a n d o A b r e u é poeta, maranhense. Fez Parte da “Akademia dos Párias”. Possui lançado o livro de poesias “Relatos do Escambau”.
Escrito por Bioque Mesito às 17h16
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[ c a r a c o l e s t r e l a d o ]
Deslizaste depois da chuva Depois da chuva de prata
As estrelas com seus ossos Sós construíram-te uma casa Aonde a levas sobre uma toalha
O tempo capenga te persegue Para alcançar-te para esmagar-te Estende os chifres caracol
Te arrastas por uma face gigante Que jamais hás de fitar Direto para a boca do nada
Retorna à linha da vida À minha palma de mão sonhada Enquanto não é tarde demais
E deixa-me como herança A toalha mágica de prata
V a s k o P o p a é poeta, sérvio. Nascido em 29 de junho de 1922, em Grébenatz. É um dos mais representativos poetas contemporâneos da Iugoslávia. Suas obras já foram traduzidas para mais de 19 idiomas, sendo considerado uma figura marcante no cenário poético internacional.
Escrito por Bioque Mesito às 12h27
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[ k u a r u p ]
de seis milhões
em mil e quinhentos
restou apenas
uma legião
de vultos
soletrando
uma algazarra
zorra,
um kuarup de calça jeans.
os outros foram mortos
até os que estão vivos
até os que não nasceram.
S a l g a d o M a r a n h ã o é poeta, maranhense, nascido em Caxias. Tem 48 anos e vive no Rio de Janeiro desde 1973. Seus primeiros poemas foram editados na antologia Ebulição da escrivatura, publicada pela Civilização Brasileira, em 1978. Além deste, publicou: Punhos da serpente (Rio de Janeiro, Achiamé, 1989); Palávora (Rio de Janeiro, Sette Letras, 1995 ); O beijo da fera (Rio de Janeiro, Sette Letras, 1996); Mural de ventos (Rio de Janeiro, José Olympio, 1998). Este último rendeu ao poeta o Prêmio Jabuti.
Escrito por Bioque Mesito às 12h24
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[ p ó l v o r a p a r a d e t o n a r e s t r e l a s ]
Aqui onde moro o céu é pouco estrelado também não dá pra ver o mar. Mas nesse fim de um lugar eu pingo lágrimas que brilham estrelas. Meu coração subterrâneo ri um riso bobo, solidário, derrotado, tentando prender com graça as cinco pontas da vida Que proclama aos quatro cantos enquanto chora solitário Aqui não tem estações mas conto pétalas das minhas dores,
L i s a r d o L o p e s é poeta. Possui um blog na Internet de divulgação de seus poemas. lisardolopes@hotmail.com / 100poemasimaginarios.zip.net
Escrito por Bioque Mesito às 12h20
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[ p r o p ó s i t o ]
Viver pouco mas viver muito Ser todo o pensamento Toda a esperança Toda a alegria ou angústia — mas ser
Nunca morrer enquanto viver
E u n i c e A r r u d a é poeta, paulista. Nascida em Santa Rita do Passa Quatro, em 1939. É pós-graduada em semiótica. Tem participações em várias antologias no Brasil. Possui as seguintes obras editadas “Chão Batido”, “À Beira”, “Há Estações”, dentre outras.
Escrito por Bioque Mesito às 12h19
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[ a o s o l ]
Quando caminho
Caminho sobre o que fui ou sou
Caminho
De mim para mim,
eu (e o quem grito):
"AO SOL EM SAL EU SOU!"
Fixo-me.
H a g a m e n o n d e J e s u s é poeta, maranhense, nascido em 21 de setembro de 1964. Estudou Letras na Universidade Federal do Maranhão. Faz parte do Grupo Curare de Poesia. Possui lançado o livro de poesias “The Problem e /ou os Poemas de Transição".
Escrito por Bioque Mesito às 13h55
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[ o u t r a f a c e ]
Amarga ânsia posta em cálice.
Nenhuma das duas feces da moeda...
Nem cara, nem coroa,
Apenas o que em mim ressoa.
R o s e m a r y R ê g o é poeta, maranhense. Formada em Letras pela Faculdade Atenas Maranhense. Apresenta uma importante colaboração na poesia maranhense. Possui lançado o livro de poesias “O Ergástulo Gozo da Palavra”.
Escrito por Bioque Mesito às 13h55
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[ a d o l e s c ê n c i a ]
esboço do sexo feminino
na bananeira do quintal
P a u l o M e l o S o u z a é poeta, maranhense, nascido em 06 de maio de 1960. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Maranhão. Poeta atuante no cenário da poesia maranhense. Fundador dos Grupos “Poeme-se” e “Graal”. Possui lançado os livros de poesias “Oráculo de Lúcifer” e “Visagem”. paulomelosouza@ig.com.br
Escrito por Bioque Mesito às 13h55
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[ m ã o s ]
as mãos sobre o papel
como se fora um barco
o papel
mas na verdade um branco
que dói
as mãos sobre o papel
como se esperassem um sonho
nascer
mas na verdade é um sino
que nasce
as mãos sobre o papel
como que derrotadas
por hoje
na verdade a derrota
não houve
as mãos sobre o papel
como se não tivessem nada
a fazer a vida inteira
na verdade o tempo
não importa
B i o q u e M e s i t o é poeta, maranhense, nascido sob o sol de aquário em 3 de fevereiro de 1972. Possui participações em várias coletâneas de poesia. Faz parte do Grupo Curare de Poesia. Possui lançado o livro de poesias “A Inconstante Órbita dos Extremos”. bioquemesito@yahoo.com.br / www.centraldapoesia.zip.net
Escrito por Bioque Mesito às 17h05
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sentado na cadeira do poeta
eu vi o mar
o mar & sua serpente sépia
o fervor a pronúncia áspera das águas
de uma palavra que conduza os mortos para o outro mundo
boca que a loucura gostaria de ter
mar em que o último irmão se removeu até o fundo
arrastado pelos pássaros
cansado de nada encontrar
tudo que não fala tem uma segunda morte
N e y P a i v a é poeta, ensaísta, artista plástico, paraense. Nascido em 1964 na cidade de Belém. Colabora com a revista literária Polichinello. É autor dos seguintes livros “Não Era Suicídio Sobre a Relva”, “Poetas Não se fazem Marinheiros”, “Nave do Nada.”
Escrito por Bioque Mesito às 17h05
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[ a o l a d o d a t a r d e ]
Quando naquela tarde
depois da chuva, ao lado da janela,
olhava o arco-íris, lembrei
que aqui dentro o escuro prevalecia
longamente perto do amor.
Daqueles dias recordo
as treze estrelas contadas
e a cada uma dizia:
aquela que cai infinitamente
é para lembrar de nossas alegrias. Mas
se indagar pelas outras respondo:
o amor tem ponto.
M a r i o R o s a é poeta, tradutor e professor de Literatura brasileira no UNI-BH. Possui poemas publicados em várias revistas literárias espalhadas pelo Brasil.
Escrito por Bioque Mesito às 17h04
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nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além  de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio: no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram, ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto
teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre (tocando sutilmente,misteriosamente) a sua primeira rosa
ou se quiseres me ver fechado, eu e minha vida nos fecharemos belamente,de repente, assim como o coração desta flor imagina a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber neste universo iguala o poder de tua imensa fragilidade:cuja textura compele-me com a cor de seus continentes, restituindo a morte e o sempre cada vez que respira
(não sei dizer o que há em ti que fecha e abre;só uma parte de mim compreende que a voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas) ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas
E. E. C u m m i n g é poeta, norte-americano. Nascido em 14 de outrubro de 1894, em Cambridge, Massachusetts. Estudou em Harvard, especializando-se em literatura grega. Foi amigo de Ezra Pound. Sua poesia era altamente revolucionária.
Escrito por Bioque Mesito às 20h02
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[ e a s s i m e m n í n i v e ]
Sim! Sou um poeta e sobre minha tumba Donzelas hão de espalhar pétalas de rosas E os homens, mirto, antes que a noite Degole o dia com a espada escura.
Veja! não cabe a mim Nem a ti objetar, Pois o costume é antigo E aqui em Nínive já observei Mais de um cantor passar e ir habitar O horto sombrio onde ninguém perturba Seu sono ou canto. E mais de um cantou suas canções Com mais arte e mais alma do que eu; E mais de um agora sobrepassa Com seu laurel de flores Minha beleza combalida pelas ondas, Mas eu sou poeta e sobre minha tumba Todos os homens hão de espalhar pétalas de rosas Antes que a noite mate a luz Com sua espada azul.
Não é, Ruaana, que eu soe mais alto Ou mais doce que os outros. É que eu Sou um Poeta, e bebo vida Como os homens menores bebem vinho.
E z r a P o u n d é poeta, crítico de literatura, tradutor, norte-americano. Nascido em 30 de outubro de 1885. Considerado um dos poetas que mais contribuiu para o desenvolvimento da poesia moderna. Dentre seus livros mais importantes, destaca-se “Os Cantos”, um poema-épico da modernidade.
Escrito por Bioque Mesito às 20h01
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[ o l a m e n t o d a v i ú v a e m p l e n a p r i m a v e r a ]
O pesar é o meu quintal onde a grama nova flameja como tantas vezes flamejou antes não porém com o fogo gélido que se fecha este ano à minha volta. Trinta e cinco anos vivi com meu marido. A ameixeira hoje está branquinha de pencas de flores. Pencas de flores carregam os galhos de cerejeira e dão a alguns arbustos cor amarela e vermelha a outros mas o pesar dentro de mim é mais forte que elas · pois embora fossem a minha alegria antigamente, eu hoje as vejo e Ihes volto as costas deslembrada. Hoje o meu filho me disse que para lá dos prados, na orla da floresta cerrada, viu à distância árvores de flores brancas. Bem que eu gostaria de ir até lá para deixar-me tombar sobre essas flores e afundar no brejo perto delas.
W i l l i a m Ca r l o s W i l l i a m s é poeta, norte-americano. Nascido em 1883. Foi um dos poetas mais importante da poesia norte-americana. Sua poesia do imaginário influenciou e continua influenciando vários poetas.
Escrito por Bioque Mesito às 20h01
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[ e s c r i t o c o m t i n t a v e r d e ]
A tinta verde cria jardins, selvas, prados, folhagens onde gorjeiam letras, palavras que são árvores, frases de verdes constelações.
Deixa que minhas palavras, ó branca, desçam e te cubram como uma chuva de folhas a um campo de neve, como a hera à estátua, como a tinta a esta página.
Braços, cintura, colo, seios, fronte pura como o mar, nuca de bosque no outono, dentes que mordem um talo de grama.
Teu corpo se constela de signos verdes, renovos num corpo de árvore. Não te importe tanta miúda cicatriz luminosa: olha o céu e sua verde tatuagem de estrelas.
O c t a v i o P a z é poeta, ensaísta, mexicano. Nascido em Mixcoac em 1937. Possui publicado uma série de livros de poesia e crítica literária. Entre seus principais livros estão “Pedra do Sol” e “Blanco”.
Escrito por Bioque Mesito às 20h00
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[ c a n ç ã o d o e x í l i o ] 
Minha terra tem palmeiras, Onde canta o sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas tem mais flores, Nossos bosques tem mais vida, Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o sabiá.
Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar - sozinho, à noite - Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu'inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá.
A n t ô n i o G o n ç a l v e s D i a s é poeta, maranhense. Nascido em 10 de agosto de 1823 em Caxias. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, retornando ao Brasil em 1845. Pertenceu à primeira geração do Romantismo Brasileiro. Delicado e melancólico, criou o indianismo romântico, impondo-se como uma das maiores figuras da nossa literatura. É considerado o mais maduro dos românticos brasileiros, o nosso maior poeta romântico. Suas principais obras são “Primeiros Cantos”, “Segundos Cantos”, “Últimos Cantos”, “Sextilhas de Frei Antão”, “I-Juca Pirama”, “Os Timbiras”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 18h24
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[ p r o f e c i a d e f e i r a ]
tens essência e proeminência pra seres capital da Grécia uma acrópole em cascalhos um coliseu em frangalhos uns péricles convergentes uns sócrates detergentes grandes quebradores de pratos uma esfinge com esparadrapo guerra entre caixas de som olimpíadas no pantheon umas cabeças coroadas umas verdades acaloradas
reza e confia: um dia menina serás uma grande Teresina
L u í s A u g u s t o C a s s a s é poeta, maranhense. Possui publicados os livros de poesias “Répública dos Becos”, “A Paixão Segundo Alcântara”, “Rosebud”, “O Retorno da Aura”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 18h07
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[ f i l a i n d i a n a ]
Um atrás do outro, atrás um do outro, ano após ano, ano após outros, minuto após minuto, século após séculos, continuam
(a conduzir seus madeiros na perícia dos próprios dramas)
um atrás do outro, atrás um do outro, ano após ano, ano após outros, minuto após minuto, século após séculos, e de novo
um atrás do outro, atrás um do outro, até a surdez final do pó.
N a u r o M a c h a d o é poeta, maranhense. Nascido em São Luís do Maranhão, no dia 2 de agosto de 1935. Um dos poetas brasileiros mais fecundos e importantes de todos os tempos. Possui lançado os seguintes livros de poesias “Campo sem base”, “O exercício do Caos”, “Do eterno indeferido”, “Os parreirais de Deus”, “Masmorra didática”, “A rosa blindada”, “A travessia do Ródano”, “A rocha e a rosca”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 18h02
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[ e l o g i o d o a l e x a n d r i n o ]
Asclepiádeo verso: à evolução do poema Das sestas, cadenciar d'altas antigüidades, já porque bipartido em fúlgidas metades Reata em conjunção opostos de um dilema, E já por ser de gala a forma do matiz Heleno na escultura e lácio na linguagem Reacesda, de Alexandre, em fogos de Paris: Paris o tom da moda, o bom gosto, a roupagem; Que desperta aos tocsins, galo às estrelas d'alva, Que faz revoluções de Filadélfia às salvas E o verso-luz, fardeur das formas, de grandeza, o verso-formosura, adornos, lauta mesa Ond' tokay, champanh', flor, copos cristal-diamantes Sobrelevam roast-beef e os queijos e o pudding. Porém, mens divinior, poesia é o férreo guante: Ao das delícias tempo, o fácil verso ovante, o verso cor de rosa, o de oiro, o de carmim, Dos raios que o astro veste em dia azul-celeste; E para os que têm fome e sede de justiça, O verso condor, chama, alárum, de carniça, D'harpas d'Ésquilus, de Hugo, a dor, a tempestade: Que, embora contra um deus "Figaro" impiedade Vesgo olhinho a piscar diga tambour-major, Restruge alto acordando os cândidos espíritos Às glórias do oceano e percutindo os gritos Réus. Ao belo trovoar do magno Trovador Ouve-se afinação no mundo brasileiro, Acorde tão formoso, hodierno, hospitaleiro, Flamívomo social, encantador. Fulgura Luz de dia primeiro, a nota formosura, Que ao jeová-grande-abrir faz novo Éden luzir.
S o u s â n d r a d e é poeta, maranhense. Nascido na vila de Guimarães. Formou-se em Letras pela Sorbonne, em Paris. Republicano convicto e militante, transfere-se, em 1870, para os Estados Unidos. Retornando ao Maranhão, comemora com entusiasmo a Proclamação de República. Morre abandonado e na miséria, sendo considerado louco. Sua obra foi esquecida durante décadas. Resgatada no início da década de 1960, pelos poetas Augusto e Haroldo de Campos, revelou-se uma das mais originais e instigantes de todo o nosso Romantismo. Em Nova Iorque, publica sua maior obra, o poema longo “O Guesa Errante”.
Escrito por Bioque Mesito às 17h59
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[ c o n s u m a ç ã o ]
atravessando lagoas de metamorfoses biológicas
sem tomar conhecimento do fascínio dos garanhões
Dasdores
sem sequer ter visto as bolhas de águas turquesas
o murmúrio dos golfinhos de F. de Noronha
tomou água corrosiva
as nuvens peregrinas regrediram
ao perder o senso de vista
penetraram em seu ventre
ela ejaculou as façanhas
na segunda vez que sorveu tal água
fisgada pelas lascívias
foi-se
para os pés da ecosfera
imaginando
a magia
do mundo
da lua
G e a n e L i m a F i d d a n é poeta, maranhense. Professora de Língua Inglesa e Literatura. Coordena um projeto de Literatura na Universidade Virtual do Maranhão. Possui algumas participações em antologias, festivais e eventos de poesia. geanerama@hotmail.com
Escrito por Bioque Mesito às 12h10
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[ n o t r e m d e z h o u y u ]
em memória de meu pai Araújo (1950-2006)
o tempo elege sempre uma vida para levar
mas aprendi que não existe certeza
antes corria dos trilhos incendiados
para compreender a perda que imaginamos
nem todo dia é para comemorarmos
existe uma parada ela estava lá silenciosa
há uma música que sempre ouço pela manhã
faça chuva ou quando lembro de meu pai
estão disfarçados os amantes que mandam flores
sem meus valores não julgo ninguém
meu filho acha engraçado eu dormir de pijama
a vida é uma série de confusos movimentos
escolhi o vazio dos lugares sem nomes
para mutilar lembranças que nunca existiram
B i o q u e M e s i t o é poeta, maranhense, nascido sob o sol de aquário em 3 de fevereiro de 1972. Possui participações em várias coletâneas de poesia. Faz parte do Grupo Curare de Poesia. Possui lançado o livro de poesias “A Inconstante Órbita dos Extremos”. bioquemesito@yahoo.com.br / www.centraldapoesia.zip.net
Escrito por Bioque Mesito às 15h20
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[ a v e r g o n h a ]
Estou me procurando a cada sombra
deste contraditório desencanto.
Estas mornas lágrimas cintilam
um afeto ruidosamente indeciso.
Já não sei se hoje estou despido
ou se neste Vale encontrarei o Manto
com que haverei nas tardes de cobrir
a nudez da minha vergonha no Paraíso.
J o s é M a r i a N a s c i m e n t o é poeta, maranhense. Nascido em São Luís no dia 18 de setembro de 1940. Desde cedo se apaixona pelo fazer poético. Durante grande parte da sua vida se dedicou aos vícios do álcool e era freqüentador do lado boêmio de São Luís. Porém a vida de boêmio aos poucos foi deixando. É um poeta de versos fortes e que sempre valoriza a alma humana. Suas principais obras são “Constelação Marinha”, “Ressonância do Barro”, “Harmonia do Conflito”, dentre outras.
Escrito por Bioque Mesito às 15h20
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[ c o r r i d a ]
No avanço do tempo corre a vida,
mas nesse tempo há pedras espalhadas,
pedras agudas, carnes esfarrapadas,
sangue jorrando de cada ferida.
O tempo açoita a vida noite e dia
e ele chora, tropeça, levanta e continua.
Só e esperança anima a travessia;
e a alma corre, descabelada e nua.
E a vida não tem tempo, ao tempo, em meio,
de ver o belo existente no caminho;
não perder na corrida é o anseio;
sua atenção conserva em desalinho.
No embrião da vida, no tempo, avanço.
Subidas e descidas ─ tantas conheço:
e na vertigem do correr me canso.
Procuro, em vão, meu horizonte do começo.
D a g m a r D e s t e r r o é poeta, maranhense. Nascido em São Luís no dia 9 de setembro de 1927. Formou-se em Pedagogia pela Universidade Federal do Maranhão. Sua poesia sempre foi admirada pela lírica e imagética das palavras. Considerada uma das poetas mais importantes do Maranhão. Suas obras de destaque são “Segredos dispersos”, “Parábola do Sonho Quase Vida”, “Pedra Viva”, dentre outras.
Escrito por Bioque Mesito às 15h18
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[ s o n e t o d a f e l i c i d a d e ]
Não receies, amor, que nos divida
um dia a treva de outro mundo, pois
somos um só, que não se faz em dois
nem pode a morte o que não pode a vida.
A dor não foi em nós terra caída
que de repente afoga mas depois
cede à força das águas. Deus dispôs
que ela nos encharcasse indissolvida.
Molhamos nosso pão quotidiano
na vontade de Deus, aceita e clara,
que nos fazia para sempre num.
E de tal forma o próprio ser humano
mudou-se em nós que nada mais separa
o que era dois e hoje é apenas um.
Odylo Costa, f i l h o é poeta, maranhense. Nascido em São Luís no dia 14 de dezembro de 1914. Formou-se em Direito na Universidade do Brasil–RJ. Porém segue a carreira de jornalismo, trabalhando em vários Órgãos da Imprensa Brasileira. Sendo considerado um dos grandes poetas líricos brasileiros. Suas principais obras são “Cantiga Incompleta”, “Arca da Aliança”, “Notícias de Amor”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 15h04
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[ p o e m a ]
Um cão ladrou
na noite obscura
tremores frios
de inanição
A mulher magra
esperou cansada
que a carne exausta
fosse chamariz
Poucos sexos jovens
se investigaram
muitos não conseguiram
fugir à frustração
Alguns descansaram
outros se diluíram
o caixote de lixo
esperou esperou
Depois rompeu
a madrugada
B a n d e i r a T r i b u z i é poeta, maranhense. Nascido em 1927. Considerado o poeta que iniciou o modernismo no Maranhão. Sendo por muitos estudiosos um dos maiores poetas do século XX da poesia maranhense. Suas principais obras são “Alguma Existência”, “Rosa de Esperança”, “Pele & Osso”, dentre outras.
Escrito por Bioque Mesito às 15h03
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[ p o e m a s u j o ] 
turvo turvo
a turva
mão do sopro
contra o muro
escuro
menos menos
menos que escuro
menos que mole e duro menos que fosso e muro: menos que furo
escuro
mais que escuro:
claro
como água? como pluma? claro mais que clero: coisa alguma
e tudo
(ou quase)
um bicho que o universo fabrica e vem sonhando desde as entranhas
azul
era o gato
azul
era o galo
azul
o cavalo
azul
teu cu
F e r r e i r a G u l l a r é poeta, maranhense. Nasceu em 10 de setembro de 1930, na cidade de São Luís. É um dos criadores da Poesia Concreta no Brasil. Possui lançado os livros de poesias “A Luta Corporal”, “Crime na Flora” “O Poema Sujo”, “Barulhos”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 18h56
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[ a r q u i t e t u r a ]
Um dia escreverei um poema
que não precise dizer nada
um poema: apesar das palavras
arpejo relógio ou pedra
silêncio que ninguém suporte
lâmina dentro da goela
de João Cabral de Melo Neto
voz e fino topázio
a linguagem apenas tece
a trama de nehuma sintaxe
um dia escreverei um poema
no azul vazio da lousa
em ecos um silêncio adormece
L u í s I n á c i o A r a ú j o é poeta, maranhense. Nascido em dezembro de 1968. É formado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão. Escreve desde cedo, quando ainda era adolescente. Possui lançado o livro de poesias “Vôo Ávido”.
Escrito por Bioque Mesito às 00h42
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[ h e r m é t i c o ]
o cadáver da pedra se apavora
com o esqueleto da própria sombra
no músculo das palavras
cabe toda a carta celeste
o maxilar da morte anoitece
devorando omoplatas de cetim
um poeta se diverte
espancando os dentes da máquina de escrever
P a u l o M e l o S o u z a é poeta, maranhense, nascido em 06 de maio de 1960. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Maranhão. Poeta atuante no cenário da poesia maranhense. Fundador dos Grupos “Poeme-se” e “Graal”. Atualmente possui uma coluna “Alça de Mira” que divulga poesia às sextas-feiras no Jornal Pequeno. Possui lançado os livros de poesias “Oráculo de Lúcifer” e “Visagem”. paulomelosouza@ig.com.br
Escrito por Bioque Mesito às 00h41
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[ o f e r e n d a ]
Venho te oferecer meu coração
como o cansaço se oferece aos amantes
o suor aos corpos exaustos
depois de definitivo abraço
Venho te oferecer meu coração
como a lua se oferece à noite
e o vento à tempestade
Venho te oferecer meu coração
como o peixe se oferece à captura
no engano do anzol
L a u r a A m é l i a D a m o u s é poeta, maranhense. Nascida em 10 de abril de 1945 em Turiaçu. Fez parte de vários movimentos literários na década de 70,80 e 90. Possui lançado os livros de poesias “Brevíssima Canção do Amor Constante”, “Cimitarra”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 00h39
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[ c a o s ]
não há ordem
somente zelo puro
interceder de ventos, chuvas e morte
andar
como travis, de win wenders
como a foto de robert frank
como jack kerouac
como trens
abandonando nas estações
extenuadas amantes dos que não param
G e r a l d o I e n s e n é poeta, contista, paranaense, radicado em São Luís. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Maranhão. Possui lançado o livro de contos “O Legado de Torres”. giensen@uol.com.br / www.divinacomedia.zip.net
Escrito por Bioque Mesito às 00h38
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[ t a r a ]
Observo-me e nada concluo
Ânsia de concluir que me atrasa
Sendo dois e mil, duzentos olhos
De cristal que me empanam
E tem as pernas, instrumento
De alucinação, veredas e calo
Tem a calva por onde me transporto
Rumo ao céu transviado
Nuvens que me revolvem
E que me apontam armas
Tem as manchas que se calam
As máculas, os agregados que me falam
No meio da noite futilidades malsãs
Tenho a mim que me estendo
Verborragicamente
Nos sinais, semáforos de terra
Mistura de ar e luz e degredo e tara!
F e l i p e U c i j a r a é poeta, maranhense. Poeta da mais recente safra da poesia maranhense. É estudante de Psicologia na Universidade Federal do Maranhão. Vencedor do 18º Festival Maranhense de Poesia da Universidade Federal do Maranhão. www.centrovelhodavida.zip.net
Escrito por Bioque Mesito às 00h37
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[ v i o l e t a s d a n ç a m n o p l a y g r o u n d ] 
sete e meia da manhã
um menino
busca o pão
a família
o espera
oito e vinte e cinco
um carro
o atropela
doze e quinze
a família
fica sabendo
dezesseis e trinta e sete
seu corpo
é sepultado
sete e meia da manhã
do dia seguinte
o pão aumenta
uma família
diminui
B i o q u e M e s i t o é poeta, maranhense, nascido sob o sol de aquário em 3 de fevereiro de 1972. Possui participações em várias coletâneas de poesia. Faz parte do Grupo Curare de Poesia. Possui lançado o livro de poesias “A Inconstante Órbita dos Extremos”. bioquemesito@yahoo.com.br / www.centraldapoesia.zip.net / www.afila.zip.net
Escrito por Bioque Mesito às 18h51
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[ c â m e r a i n d i s c r e t a ]
o poeta lírico-barbado
babuja
no bar
seus poemas
boa tarde
elegante bardo
cuidado com o vento
suas folhas íntimas
não resistem ao menor sopro
o coração sobre a mesa
breve o garçom virá removê-lo
um barco atraca no cais
lugar de coração é no peito
teimoso bardo
curió pardo exposto aos turistas
a mulher burguesa
batom e ruge
ergue o braço
garça o garçom passa
o poeta velho brada:
liturgia do inútil
tudo desaba
asa do vento navalhada
na tarde provinciana
e cinza
R o b e r t o K e n a r d é poeta, maranhense. Nascido em São Luís. É Diretor de Redação do jornal Diário da Manhã. Tem publicados os livros “No Meio da Vida” (poemas -1980), “Do Lado Esquerdo do Corpo” (poemas - 1982), “O Camaleão no Espelho” (poemas - 1990) e “O Bazar de Gutenberg” (crítica literária - 1993). A sair em março/abril “Ozerodacidade” (poemas). robertokenard@gmail.com / robertokenard.blog.uol.com.br
Escrito por Bioque Mesito às 18h44
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[ o c a s o ]
Era uma vez
eu e o tempo.
A sós.
Sobrando
no Boqueirão,
quando um sol sem quilha
ruía
n’ Ave
Maria.
De fat(u)o
só sobrou
a coragem.
Continuemos.
A n t o n i o A í l t o n é poeta, maranhense. Nascido em Bacabal no dia 29 de dezembro de 1968. Formado em Letras pela Universidade Federal do Maranhão. Faz parte do Grupo Curare de Poesia. Possui lançado os livros “As Habitações do Minotauro” ( Poesia) e “Humanologia do Eterno Empenho” ( Ensaio ), ambos vencedores em concursos do "Prêmio Cidade de São Luís", Func/MA. ailtonpoiesis@yahoo.com.br / poemasevendavais.zip.net
Escrito por Bioque Mesito às 18h28
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[ a s e r p e n t e ]
Carrego sobre mim não o poema
contudo, a vida sobre
as asas rotineiras
como quem conhece
o desespero ou como se pudesse
A tranqüilidade das pêras
Mesmo inteira
Sou como a dúvida
Sobre cada beijo
H a g a m e n o n d e J e s u s é poeta, maranhense, nascido em 21 de setembro de 1964. Estudou Letras na Universidade Federal do Maranhão. Faz parte do Grupo Curare de Poesia. Possui lançado o livro de poesias “The Problem e /ou os Poemas de Transição".
Escrito por Bioque Mesito às 18h21
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[ s a n t o e p i t á f i o d a ú l t i m a n e c e s s i d a d e ]
da minha última invenção
não esperem
equilíbrio
pois
a água de tudo
que ainda resta
estremece madrugadas
e uma palavra a mais
cala
o silêncio oxidável
D y l P i r e s é poeta, maranhense, nascido em 01 de setembro de 1970. Estudante de Artes Cênicas na Universidade Federal do Maranhão. Faz parte do Grupo Curare de Poesia. Possui lançado o livro de poesias “O Círculo das Pálpebras”. dylpires@yahoo.com.br / www.esperandogodot.zip.net
Escrito por Bioque Mesito às 18h20
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[ 1 1º s o n e t o l u x u r i o s o ]
Para provar tão célebre caralho, Que me derruba as orlas já da cona, Quisera transformar-me toda em cona, Mas queria que fosses só caralho.
Se eu fosse toda cona e tu caralho, Saciaria de vez a minha cona, E tiraria tu também da cona Todo prazer que ali busque o caralho.
Mas não podendo eu ser somente cona, Nem inteiro fazeres-te caralho, Recebe o bem querer da minha cona.
E vós tomai, do não assaz caralho, O ânimo pronto; baixai a vossa cona, Enquanto enfio fundo o meu caralho.
Depois, sobre o caralho Abandonai-vos toda com a cona, Que caralho eu serei, vós sereis cona.
P i e t r o A r e t i n o é poeta, italiano. Nascido em Arezzo no dia 20 de abril de 1492. Famoso por suas violentas críticas aos grandes da época, aos artistas e aos religiosos. Viveu principalmente em Veneza. De família humilde, não teve formação clássica. Conhecido por seus escritos pornográficos, sobretudo I ragionamenti (1534-1536; As argumentações), os Capitoli (1540; Capítulos), as canções líricas e os Sonetti lussuriosi (1525; Sonetos luxuriosos), Aretino é, porém, mais importante como jornalista. Suas críticas mordentes e às vezes caluniosas eram divulgadas no Pasquino, em Roma, e em Delle Lettere (1538-1557), distribuídos em volantes.
Escrito por Bioque Mesito às 21h21
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[ u m a p e d r a ]
Tenho sempre fome desse Lugar que nos foi espelho, Das frutas curvadas dentro De sua água, luz que salva,
E gravarei sobre a pedra Lembrança de que brilhou Um círculo, fogo ermo. Acima é rápido o céu
Como ao voto a pedra é fechada. Que buscávamos? Talvez Nada, a paixão só é sonho. Nada pedem suas mãos.
E de quem amou uma imagem, Por mais que o olhar deseje, Fica a voz sempre partida, É a palavra toda cinzas.
Y v e s B o n n e f o y é poeta, francês. Nascido no dia 24 de junho de 1923, na cidade de Tours. Estudou matemática e filosofia, tendo obtido o “baccaloréat” em 1941. Depois, na Universidade de Poitiers, e em seguida,a partir de 1943, na Sorbonne, prosseguirá os estudos de matemática superior, história das ciências e filosofia. Sua obra poética já foi traduzida para mais de vinte idiomas e é reconhecida pela crítica como comparável ao que de melhor se produziu na França em todos os tempos. Suas principais obras são “Devoção”, “Na Ilusão do Limiar”, “Início e Fim da Neve”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 23h26
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[ d e n t e d e l e ã o ]
Na beira do passeio No fim do mundo Olho amarelo da solidão
Cegos pés Apertam-lhe o pescoço No abdômen de pedra
Cotovelos subterrâneos Empurram suas raízes Para o húmus do céu
Pata canina ereta Faz-lhe troça Com o aguaceiro recozido
Contenta-o apenas O olhar sem dono do passante Que em sua coroa Pernoita
E assim A ponta de cigarro vai queimando No lábio inferior da impotência No fim do mundo
V a s k o P o p a é poeta, sérvio. Nascido em 29 de junho de 1922, em Grébenatz. É um dos mais representativos poetas contemporâneos da Iugoslávia. Suas obras já foram traduzidas para mais de 19 idiomas, sendo considerado uma figura marcante no cenário poético internacional.
Escrito por Bioque Mesito às 14h49
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[ b l u s a f á t u a ]
Costurarei calças pretas com o veludo da minha garganta e uma blusa amarela com três metros de poente. Pela Niévski do mundo, como criança grande, andarei, donjuan, com ar de dândi.
Que a terra gema em sua mole indolência: "Não viole o verde das minhas primaveras!" Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência: "No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!"
Não sei se é porque o céu é azul celeste e a terra, amante, me estende as mãos ardentes que eu faço versos alegres como marionetes e afiados e precisos como palitar dentes!
Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta garota que me olha com amor de gêmea, cubram-me de sorrisos, que eu, poeta, com flores os bordarei na blusa cor de gema!
V l a d í m i r M a i a k o v s k i é poeta, russo. Nascido na aldeia de Bagdádi em 1893. Fez parte de vários movimentos revolucionários, entre eles os bolcheviques. Considerando um dos maiores poetas russos de todos os tempos.
Escrito por Bioque Mesito às 12h38
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[ d e s c r i ç ã o d e s i m e s m o j u n t o
a u m c o p o d e w h i s k y n o a e r o p o r t o
d i g a m o s e m m i n e a p o l i s ]
Meus ouvidos ouvem cada vez menos das com-
versas, meus olhos vão ficando mais fracos,
mas não se fartaram.
Vejo suas pernas em minissaias, em calças com-
pridas ou tecidos voláteis,
Observo uma a uma, suas bundas e coxas, pen-
sativo, acalentado por sonhos pornô.
Velho depravado, é a cova que te espera, não os
jogos e folguedos da juventude.
Não é verdade, faço apenas o que sempre fiz,
compondo cenas dessa terra sob as ordens de
uma imaginação erótica.
Não desejo a estas criaturas, desejo tudo, e
elas são como o signo de uma convivência
extática.
Não é minha culpa se somos feitos assim,
metade contemplação desinteressada, e metade
apetite.
Se após a morte eu chegar ao Céu, lá deve ser
como aqui, só que me terei desfeito da obtu-
sidade dos sentidos e do peso dos ossos.
Tornado puro olhar, sorverei ainda as propor-
ções do corpo humano, a cor da íris, uma rua de
Paris em junho de manhãzinha, toda a in-
compreensível, a incompreensível multidão das
coisas visíveis.
C z e s l a w M i l o s z é poeta, polonês. Nascido em 1911. Durante a Segunda Guerra Mundial, Milosz estava em Varsóvia, combatendo os nazistas. Em 1960, Milosz assumiu a posição de professor de literatura na Universidade da Califórmia, em Berkeley, e naturalizou-se americano dez anos depois. Em 1980 recebeu o Prêmio Nobel de literatura. Seu livro de suma importante é “A Mente Cativa”.
Escrito por Bioque Mesito às 12h31
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[ o h o m e m d o v i o l ã o a z u l ]
I
Homem curvado sobre violão,
Como se fosse foice. Dia verde.
Disseram: "É azul teu violão,
Não tocas as coisas tais como são".
E o homem disse: As coisas tais como são
Se modificam sobre o violão".
E eles disseram: "Toca uma canção
Que esteja além de nós, mas seja nós,
No violão azul, toca a canção
Das coisas justamente como são".
II
Não sei fechar um mundo bem redondo,
Ainda que o remende como sei.
Canto heróis de grandes olhos, barbas
De bronze, mas homem jamais cantei.
Ainda que o remende como sei E chegue quase ao homem que não cantei.
Mas se cantar só quase ao homem
Não chega às coisas tais como são,
Então que seja só o cantar azul
De um homem que toca violão.
W a l l a c e S t e v e n s é poeta, norte-americano. Nascido em 1879 em Reading, Pensilvânia. Estudou na Universidade de Harvard, formado em direito, trabalhou longos anos numa companhia de seguros. Conservador, casmurro e de poucos amigos, ele sempre manteve separadas as atividades de executivo e de poeta. Seus principais livros são “Harmonium” e “ Collected Poems”.
Escrito por Bioque Mesito às 12h12
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[ c e r e j a s m e u a m o r ] 
Cerejas, meu amor, mas no teu corpo. Que elas te percorram por redondas.
E rolem para onde possa eu buscá-las lá onde a vida começa e onde acaba
e onde todas as fomes se concentram no vermelho da carne das cerejas...
R e n a t a P a l l o t t i n i é poeta. Possui vários livros publicados. Tem uma importante atuação na dramaturgia e Literatura infantil.
Escrito por Bioque Mesito às 16h45
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[ r ó i ]
Rói qualquer possibilidade de sono essa minimalíssima música de cupins esboroando tacos sob a cama
imagino a rede de canais que a perquirição predatória possa ter riscado pelo madeirame apodrecido
se aguço o ouvido capto súbito o mundo dos vermes
C a r l i t o A z e v e d o é poeta, crítico, editor, carioca. Nascido no Rio de Janeiro em 1961. É um dos poetas mais ativos da geração 90. É co-editor da revista “Inimigo Rumor. Possui publicados “Collapsus Linguae “, “As Banhistas”, “Sob a Noite Física”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 11h19
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[ e s q u e c i m e n t o ]
Esse de quem eu era e era meu, Que foi um sonho e foi realidade, Que me vestiu a alma de saudade, Para sempre de mim desapareceu.
Tudo em redor então escureceu, E foi longínqua toda a claridade! Ceguei... tateio sombras... que ansiedade! Apalpo cinzas porque tudo ardeu!
Descem em mim poentes de Novembro... A sombra dos meus olhos, a escurecer... Veste de roxo e negro os crisântemos...
E desse que era eu meu já me não lembro... Ah! a doce agonia de esquecer A lembrar doidamente o que esquecemos...!
F l o r b e l a E s p a n c a é poeta, portuguesa. Nascida em1894 em Vila Viçosa, Alto do Alentejo. Considerada uma das poetas mais líricas de seu tempo. Em vida lançou os seguintes livros “O Livro das Mágoas” e “Livro de Sóror Saudade”. Às vésperas da publicação de seu livro “Charneca em Flor”, em dezembro de 1930, Florbela pôs fim à sua vida.
Escrito por Bioque Mesito às 11h09
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[ o c a r r i n h o d e m ã o v e r m e l h o ]
tanta coisa depende de um
carrinho de mão vermelho
esmaltado de água de chuva
ao lado das galinhas brancas
W i l l i a m Ca r l o s W i l l i a m s é poeta, norte-americano. Nascido em 1883. Foi um dos poetas mais importante da poesia norte-americana. Sua poesia do imaginário influenciou e continua influenciando vários poetas.
Escrito por Bioque Mesito às 10h46
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[ s o n e t o ] 
Sete anos de pastor Jacob servia Labão, pai de Raquel, serrana bela; mas não servia ao pai, servia a ela, e a ela só por prêmio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia, passava, contentando se com vê-la; porém o pai, usando de cautela, em lugar de Raquel lhe dava Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos lhe fora assim negada a sua pastora, como se a não tivera merecida;
começa de servir outros sete anos, dizendo:-Mais servira, se não fora para tão longo amor tão curta a vida.
L u í s V a z d e C a m õ e s é poeta, português. Nascido em Lisboa em 1524. Considerado o maior poeta português de todos os tempos. Escreveu centenas de sonetos que se imortalizaram. É autor de “Os Lusíadas”, poema épico sobre o heroísmo dos portugueses.
Escrito por Bioque Mesito às 16h57
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[ c o i t o ]
Todos os movimentos do amor são noturnos mesmo quando praticados à luz do dia
Vem de ti o sinal no cheiro ou no tato que faz acordar o bicho em seu fosso: na treva, lento, se desenrola e desliza em direção a teu sorriso
Hipnotiza-te com seu guizo envolve-te em seus anéis corredios beija-te a boca em flor e por baixo com seu esporão te fende te fode
e se fundem no gozo
depois desenfia-se de ti
a teu lado na cama recupero a minha forma usual
F e r r e i r a G u l l a r é poeta, maranhense. Nasceu em 10 de setembro de 1930, na cidade de São Luís. É um dos criadores da Poesia Concreta no Brasil. Possui lançado os livros de poesias “A Luta Corporal”, “Crime na Flora” “O Poema Sujo”, “Barulhos”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 16h51
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[ a p e s a r d e ]
E eu é que sou A sapona a mulher macho A Paraíba A mandacarú A mosca-morta E Toda imagem torta e Avessa De trégua em trégua Exposta à tua mesa
Os carnívoros alimentam-se Da minha carne A poesia que jorro Seca entranhas
E eu q sou A rata desquarada A vaca operária A morte da tarântula vadia A negra e esquálida alegria
Ninguém entende q Mulher Não é seio Mas meio Q mulher mais rende Q é rendada E a estranha beleza da fada É esticar a corda estúpida da vida
E Eu A ovelha preta A insone depressiva “colho flores de acetileno” de pétalas da alvura de uma lombriga
portanto coaxa q o som do teu reino é polido apagado feito borracha e ninguém entende q mulher não é sexo mas ato e o meio partido desse contato é a alma da poeta invertida.
J o r g e a n a B r a g a é poeta, maranhense. Formada em Filosofia pela Universidade Federal do Maranhão.Faz parte do Grupo Curare de Poesia. Possui lançado o livro de poesias “Janelas Que Escondem Espíritos”. manapoesia@ig.com.br / www.eternointerno.blogspot.com
Escrito por Bioque Mesito às 16h46
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[ v i s ã o ]
Os últimos dias correram frívolos.
Todos esperavam a notícia que não veio.
Os últimos dias trouxeram o acordo.
Todos se sentaram de frente pro mar
Como se nada mais houvesse que fazer.
O torso serenado de nossos cidadãos
Transformou-se em madeira, depois em pedra.
Ao longe, como um sonho, ouvia-se
O entoar de um hino, mais parecia um
trovão rouco e monolítico, na atmosfera
vazia em que o mundo se transformara
F e l i p e U c i j a r a é poeta, maranhense. Poeta da mais recente safra da poesia maranhense. É estudante de Psicologia na Universidade Federal do Maranhão. Vencedor do 18º Festival Maranhense de Poesia da Universidade Federal do Maranhão. www.centrovelhodavida.zip.net
Escrito por Bioque Mesito às 16h42
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[ p o n t e s d e m a d i s o n ]
for F
cada um tem a sua história
uns caminham
outros escrevem poemas
o problema está com os copistas
que vez por outra confundem os peritos
e já não se sabe mais quem construiu
a Tebas de 7 portas
A n t o n i o A í l t o n é poeta, maranhense. Formado em Letras pela Universidade Federal do Maranhão. Faz parte do Grupo Curare de Poesia. Possui lançado os livros “As Habitações do Minotauro” ( Poesia) e “Humanologia do Eterno Empenho” ( Ensaio ), ambos vencedores em concursos do "Prêmio Cidade de São Luís", Func/MA. ailtonpoiesis@yahoo.com.br / poemasevendavais.zip.net
Escrito por Bioque Mesito às 16h24
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[ a p e n ú l t i m a c a s a ] 
1. eu não lerei o último poema meu talvez seja anacrônico ou até mesmo contrabandista
2. terá por certo a perfeita alusão de mim sem me desvendar
3. cicatrizes no peito olhos bem espantados 2,20 m de curiosidade
4. suave como borboletas no cio metade eterno por todo tempo metade orgasmo por insatisfeito
B i o q u e M e s i t o é poeta, maranhense, nascido sob o sol de aquário em 3 de fevereiro de 1972. Possui participações em várias coletâneas de poesia. Faz parte do Grupo Curare de Poesia. Possui lançado o livro de poesias “A Inconstante Órbita dos Extremos”. bioquemesito@yahoo.com.br /www.centraldapoesia.zip.net / www.afila.zip.net
Escrito por Bioque Mesito às 14h04
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[ a u m a m u l h e r a m a d a ]
Ditosa que ao teu lado só por ti suspiro! Quem goza o prazer de te escutar, quem vê, às vezes, teu doce sorriso. Nem os deuses felizes o podem igualar.
Sinto um fogo sutil correr de veia em veia por minha carne, ó suave bem-querida, e no transporte doce que a minha alma enleia eu sinto asperamente a voz emudecida.
Uma nuvem confusa me enevoa o olhar. Não ouço mais. Eu caio num langor supremo; E pálida e perdida e febril e sem ar, um frêmito me abala... eu quase morro ... eu tremo.
S a f o é poeta, grega. Nascida na Ilha de Lesbos, em 630 a.C. Sua poesia atravessou os séculos. A marca registrada de sua poesia é um erotismo envolvente. Em sua época a poesia era apresentada em performances sendo acompanhada por instrumentos musicais da época.
Escrito por Bioque Mesito às 10h30
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[ d o p r a z e r d o s h o m e n s c a s a d o s ]
Mulheres minhas, infiéis, adoro amá-las: Vêem meu olho em sua pelve embutido E têm de encobrir o ventre já enchido (Como dá gozo assim observá-las).
Na boca ainda o sabor do outro homem Ela é forçada a dar-me tesão viva Com essa boca a rir para mim lasciva Outro caralho ainda no frio abdômen!
Enquanto a contemplo, quieto e alheio Do prato do seu gozo comendo os restos Esgana no peito o sexo, com seus gestos
Ao escrever os versos, ainda eu estava cheio! (O gozo ia eu pagar de forma extrema Se as amantes lessem este poema.)
B e r t o l t B r e c h t é poeta, dramaturgo, alemão. Nascido em Augsburg, Baviera, em 10 de fevereiro de 1898. Brecht foi um dos nomes mais influentes do teatro do século XX, não só pela criação de uma obra excepcional, mas também pelas inovações teóricas e práticas que introduziu. Sua influência, no entanto, não se restringe ao teatro, pois Brecht foi igualmente importante pelas novidades técnicas de sua poesia.
Escrito por Bioque Mesito às 10h25
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[ h a r m o n i a v e l h a ]
O teu beijo resume Todas as sensações dos meus sentidos A cor, o gosto, o tato, a música, o perfume Dos teus lábios acesos e estendidos Fazem a escala ardente com que acordas o fauno encantador Que, na lira sensual de cinco cordas, Tange a canção do amor!
E o tato mais vibrante, O sabor mais sutil, a cor mais louca, O perfume mais doido, o som mais provocante Moram na flor triunfal da tua boca! Flor que se olha, e ouve, e toca, e prova, e aspira; Flor de alma, que é também Um acorde em minha lira, Que é meu mal e é meu bem...
Se uma emoção estranha o gosto de uma fruta, a luz de um poente - chega a mim, não sei de onde, e bruscamente ganha qualquer sentido meu, é a ti somente que ouço, ou aspiro, ou provo, ou toco, ou vejo... E acabo de pensar Que qualquer emoção vem de teu beijo Que anda disperso no ar...
G u i l h e r m e d e A l m e i d a é poeta, ensaísta, tradutor, jornalista, paulista. Nascido em Campinas, em 24 de julho de 1890. Foi redator de vários jornais de São Paulo. Particpou da Semana de Arte Moderna de 1922, sendo um dos mais importantes para a mudança estética da poesia daquela época. Possui lançados os seguintes livros “Nós”, “Meu e Raça”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 10h06
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[ a r a r a s v e r s á t e i s ]
Araras versáteis. Prato de anêmonas. O efebo passou entre as meninas trêfegas. O rombudo bastão luzia na mornura das calças e do dia. Ela abriu as coxas de esmalte, louça e umedecida laca E vergastou a cona com minúsculo açoite. O moço ajoelhou-se esfuçando-lhe os meios E uma língua de agulha, de fogo, de molusco Empapou-se de mel nos refolhos robustos. Ela gritava um êxtase de gosmas e de lírios Quando no instante alguém Numa manobra ágil de jovem marinheiro Arrancou do efebo as luzidias calças Suspendeu-lhe o traseiro e aaaaaiiiii... E gozaram os três entre os pios dos pássaros Das araras versáteis e das meninas trêfegas.
H i l d a H i l s t é poeta, paulista. Nascida em Jaú, em 21 de abril de 1930. Sua postura nem sempre compreendida pela sociedade da época, escandalizava. Porém Hilda era assim e foi até o fim. Seus últimos anos de vida se tornou reclusa em sua fazenda. Possui lançados os seguintes livros “Ode Fragmentada”, “Roteiro do Silêncio”, “Sobre a tua Grande Face”, “Fluxo-Floema”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 09h52
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[ a p u t a ]
Quero conhecer a puta. A puta da cidade. A única. A fornecedora. Na rua de Baixo Onde é proibido passar. Onde o ar é vidro ardendo E labaredas torram a língua De quem disser: Eu quero A puta Quero a puta quero a puta.
Ela arreganha dentes largos De longe. Na mata do cabelo Se abre toda, chupante Boca de mina amanteigada Quente. A puta quente.
É preciso crescer esta noite inteira sem parar De crescer e querer A puta que não sabe O gosto do desejo do menino O gosto menino Que nem o menino Sabe, e quer saber, querendo a puta.
C a r l o s D r u m m o n d d e A n d r a d e é poeta, mineiro. Nascido em Itabira, em 31 de outubro de 1902. Drummond é um dos poetas brasileiros mais admirados, sua poesia apresenta um lirismo ímpar. É um dos expoentes da poesia modernista no Brasil. Possui lançados os seguintes livros “Alguma Poesia”, “A Rosa do Povo”, “Amar se Aprende Amando”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 09h42
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[ e s p e l h o ] 
Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos. Tudo o que vejo engulo no mesmo momento Do jeito que é, sem manchas de amor ou desprezo. Não sou cruel, apenas verdadeiro — O olho de um pequeno deus, com quatro cantos. O tempo todo medito do outro lado da parede. Cor-de-rosa, malhada. Há tanto tempo olho para ele Que acho que faz parte do meu coração. Mas ele falha. Escuridão e faces nos separam mais e mais. Sou um lago, agora. Uma mulher se debruça sobre mim, Buscando em minhas margens sua imagem verdadeira. Então olha aquelas mentirosas, as velas ou a lua. Vejo suas costas, e a reflito fielmente. Me retribui com lágrimas e acenos. Sou importante para ela. Ela vai e vem. A cada manhã seu rosto repõe a escuridão. Ela afogou uma menina em mim, e em mim uma velha Emerge em sua direção, dia a dia, como um peixe terrível.
S y l v i a P l a t h é poeta, norte-americana. Nascida em 27 de outubro de 1932, em Boston só se tornou conhecida após sua morte. Sylvia suicidou-se, depois de abandonada pelo marido, o também poeta Ted Hughes. Muitos apontaram Hughes como o principal motivo do suicídio da ex-esposa. O certo é que Sylvia era uma alma atormentada e já havia feito três tentativas de suicídio antes da separação. O primeiro livro de Sylvia Plath foi publicado em 1960. Possui publicados os seguintes livros “Ariel”, ”Árvores de Inverno”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 17h49
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[ a n o i t e b e l a ]
Que canto levantou-se esta noite que entretece com o cristalino eco do coração as estrelas
Que festa vernal de coração em núpcias
Fui um charco de trevas
Hoje mordo como uma criança a teta o espaço
Hoje estou bêbado de universo
G i u s e p p e U n g a r e t t i é poeta, egípcio. Nascido em Alexandria, em 1888, de pais italianos. Ungaretti viveu no Egito até 1912, quando se transferiu para Paris, a fim de estudar na Sorbonne. Nesse período, ele tomou contato com escritores e artistas plásticos de vanguarda, entre os quais Guillaume Apollinaire, Pablo Picasso, Giorgio de Chirico, Georges Braque e Amedeo Modigliani. Em 1914, Ungaretti vai para a Itália e no ano seguinte é convocado para lutar na Primeira Guerra Mundial. Seu primeiro livro de poemas é “O Porto Sepulto”. Ao lado de Eugenio Montale e Salvatore Quasimodo formam a mais alta trindade da poesia italiana no século XX.
Escrito por Bioque Mesito às 17h41
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[ a g r a d e ]
Agora, a mansão à beira do lago já está concluída, e os trabalhadores estão começando a grade. São barras de ferro com pontas de aço, capazes de tirar a vida de qualquer um que se arrisque sobre elas. Como grade, é uma obra-prima e impedirá a entrada de todos os famintos e vagabundos e de todas as crianças vadias à procura de um lugar para brincar. Entre as barras e sobre as pontas de aço nada passará, exceto a Morte, a Chuva e o Dia de Amanhã
C a r l S a n d b u r g é poeta, norte-americano. Nascido em 1878. Filho de imigrantes suecos (o pai era ferreiro), trabalhou desde cedo em diversas atividades: pedreiro, leiteiro, engraxate. Dessa experiência aprendeu muito sobre as mazelas do capitalismo. Sandburg escreveu vários livros de poesia, sem conquistar a atenção da crítica. Mas em 1916 lançou o volume "Poemas de Chicago", que lhe valeu reconhecimento internacional. Jornalista e também autor de textos de ficção, Sandburg ganhou o Prêmio Pulitzer em 1940 com uma biografia de Abraham Lincoln. Em 1951, ele voltou a receber o mesmo prêmio, desta vez com a reunião de seus poemas.
Escrito por Bioque Mesito às 17h32
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[ r e s e r v a d e c h u v a s ]
Na escola, zombaram de minha pronúncia torta, ameaçaram-me com canivetes no recreio. Assisti a covardia crescer, aquietado no fundo da sala. Durante anos, contive o veludo áspero da pata, a soleira da pata, a vogal da pata. Preparei a vingança pelas palavras.
Roubei o dízimo, enrolei o papel seda dos versículos para fumar tuas promessas. Pisei em teu rosto com a luz suja de um livro. A neblina me perseguiu enfurecida e não viu que estava nela.
Peço desculpas como uma criança, as mãos algemadas na inocência nociva.
Como enganar os gestos? Minha vontade de abraçar esgana.
Todos meus erros descendem do excesso, não da penúria.
Deus, será que tua água vem da sede do homem? Será que nossa sede é potável?
As diferenças nos assemelham, o único vizinho do mar é o abismo. Estou extremamente perto e morro distante. Mora numa morte emprestada.
Cerca-me da cegueira, tal relâmpago que acende o bosque para as aves pousarem nele.
Cerca-me da cegueira, desapegando do que não vi.
Cerca-me da cegueira, a fidelidade do vento é testada no naufrágio.
Cerca-me da cegueira, como uma fruta apanhada com os dentes.
Cega-me. Meu desespero fracassou ao passar a noite em claro. Fez amizade com as sombras.
F a b r i c i o C a r p i n e j a r é poeta, gaúcho. Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Nascido em 23 de outubro de 1972. Possui publicados os seguintes livros “As Solas do Sol”, “Um Terno de Pássaros ao Sul”, “Terceira Sede”.
Escrito por Bioque Mesito às 15h06
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[ e s s e p u n h a d o d e o s s o s ]
Esse punhado de ossos que, na areia, alveja e estala à luz do sol a pino moveu-se outrora, esguio e bailarino, como se move o sangue numa veia. Moveu-se em vão, talvez, porque o destino lhe foi hostil e, astuto, em sua teia bebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceia o que havia de raro e de mais fino. Foram damas tais ossos, foram reis, e príncipes e bispos e donzelas, mas de todos a morte apenas fez a tábua rasa do asco e das mazelas. E ai, na areia anônima, eles moram. Ninguém os escuta. Os ossos choram.
I v a n J u n q u e i r a é poeta, crítico, ensaísta, carioca. Nascido em 3 de novembro de 1934. Considerado um dos grandes críticos de Literatura no Brasil. Sendo um dos poetas de destaque da poesia contemporânea. Possui publicados “Os Mortos”, “Três meditações na corda lírica”, “A Rainha Arcaica”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 15h04
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[ m a d r i g a l p a r a u m a m o r ]
Luz da Noite Lis da Noite meu destino é te adorar.
Serei cavalo marinho quando a lua semi fátua emergir de meu canteiro e tu tiveres saído em meus trajes de luar.
Serei concha privativa, turmalina, carruagem, Mas só se tu, Luz da Noite, teu delírio nesta margem já quiseres desaguar.
(Não te faças tão ingrata meu bem! Quedo ferido e meus olhos são cantatas que suplicam não me mates em adunco anzol de prata!)
E quanto nós nos amamos em nossa vítrea viagem de geada e de serragem pelo meio continente!
Luz da Noite Lis da Noite meu destino é te seguir.
Meu inábil clavicórdio soluça pela raiz, e já pareces tão farta que nem sequer onde filtra meu lado bom te conduz: Minha amiga vou fremindo embebido em tua luz.
C a c a s o é poeta, mineiro. Nascido no dia 13 de março de 1944, em Uberaba. Possui lançados os seguintes livros “A palavra cerzida”, “Beijo na boca”, “Na corda bamba”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 14h38
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[ a c i g a r r a q u e f i c o u ]
Depois de ouvir por tanto tempo, a fio, As cigarras, bem perto ou nas distâncias, Só me ficou no coração vazio A saudade de antigas ressonâncias...
Todas se foram... bando fugidio Em busca do calor de outras estâncias, Carregando nas asas como um rio Leva nas águas - seus desejos e ânsias...
E ainda cantaram na hora da partida: Era um clamor dentro da madrugada... Essa, entretanto, desgarrou daquelas,
E entrou, tonta de luz, na minha vida, Porque sabia que era a mais amada, E cantava melhor que todas elas...
O l e g á r i o M a r i a n o é poeta, pernambucano. Nascido em 24 de março de 1889. Sua poesia é bastante lírica. Ficou conhecido como o poeta das cigarras, um dos seus temas prediletos. Estreou na vida literária com o volume Ângelus. Foi Secretário da Embaixada Brasileira na Bolívia. Considerado o Príncipe dos Poetas Brasileiros.
Escrito por Bioque Mesito às 14h25
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[ i n v e n t á r i o ]
descarto tudo que é presente em meu passado
no google indecisos narcisos procurando espelhos
há em mim nuances experimentais de um louco
cometendo o pecado de lamber nuas maçãs de desejo
algumas poucas coisas bastam para eu ser feliz
os lábios de minha mulher me fazem dormir satisfeito
nem sempre sou a mesma coisa que desconheço
metal absorto perdido nas periferias do inferno
guerras começam pelo descaso que fazemos dos outros
caos pedaços de biscoitos espalhados sobre a mesa
estão presos os inventores de minha felicidade
mesmo assim continuo buscando minhas asas
preparo as moedas para dar ao barqueiro
puta que pariu desliguei o mundo
B i o q u e M e s i t o é poeta, maranhense, nascido sob o sol de aquário em 3 de fevereiro de 1972. Possui participações em várias coletâneas de poesia. Faz parte do Grupo Curare de Poesia. Possui lançado o livro de poesias “A Inconstante Órbita dos Extremos”. bioquemesito@yahoo.com.br /www.centraldapoesia.zip.net / www.afila.zip.net
Escrito por Bioque Mesito às 11h33
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Até logo, até logo, companheiro, 
Guardo-te no meu peito e te asseguro:
O nosso afastamento passageiro
É sinal de um encontro no futuro.
Adeus, amigo, sem mãos nem palavras.
Não faças um sobrolho pensativo.
Se morrer, nesta vida, não é novo,
Tampouco há novidade em estar vivo.
S i e r g u é i I e s s i ê n i n é poeta, russo. Nascido em 1885. Trabalhou como tipógrafo e participou de vários grupos literários. Adepto da esquerda do partido social-revolucionário, apoiou a Revolução Russa. Este foi seu último poema, antes de cometer suicídio, cortando os pulsos em um quarto de hotel de Leningrado.
Escrito por Bioque Mesito às 21h08
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[ t e a t r o s ]
O conto é sobre os grafitos no tablado
onde uma letra de um metro se aboleta,
e à noite convidam das tabuletas
as pupilas dos anúncios pintalgados.
O automóvel pinta os lábios brancos
da mulher desbotada de Carrière;
dois fox-terriers em chamas arrancam
peliças dos passantes na carreira.
E assim que uma pêra furtaluz
rasgou na sombra as lanças dos ataques,
sobre os ramos das frisas com flores de pelúcia
dependuraram-se pesadamente os fraques.
V l a d í m i r M a i a k o v s k i é poeta, russo. Nascido na aldeia de Bagdádi em 1893. Fez parte de vários movimentos revolucionários, entre eles os bolcheviques. Considerando um dos maiores poetas russos de todos os tempos.
Escrito por Bioque Mesito às 21h07
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Uma vez mais, uma vez mais
Sou para você
Uma estrela. Ai do marujo que tomar
O ângulo errado de marear
Por uma estrela:
Ele se despedaçará nas rochas,
Nos bancos sob o mar.
Ai de você, por tomar
O ângulo errado de amar
Comigo: você
Vai se despedaçar nas rochas
E as rochas hão de rir
Por fim
Como você riu
De mim.
V i e l i m i r K h l é b n i k o v é poeta, russo. Estudou física, matemática e ciências naturais na Universidade de Kazan. Foi um dos poetas russos que se dedicou exclusivamente à poesia, visto que sua vida funcional sempre foi de pequenos salários.
Escrito por Bioque Mesito às 21h06
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Mão de esquerda contra a direita.
Tua alma e minha alma −rentes.
Fusão, beatitude que abrasa.
Direita e esquerda −duas asas.
Roda o tufão, o abismo fez-se
Da asa esquerda à asa direita.
M a r i n a T z v i e t á i e v a é poeta, russa. Nascida em 1892. Opôs-se violentamente à Revolução Russa. Residiu em Berlim, Praga e Paris. Seus poemas são em média concisos, severos, musicais e muito líricos.
Escrito por Bioque Mesito às 21h05
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Fez
ca
fé
bagos de uva
pássaros
pássaros
passam
pass
cem
V a s s í l i K a m i ê n s k i é poeta, russo. Nascido em 1884. Foi um dos primeiros aviadores russos. Foi organizador do grupo cubo-futuristas. Seus poemas seguem um experimentalismo consciente e radical.
Escrito por Bioque Mesito às 21h02
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[ l a b i r i n t o ]
Não haverá nunca uma porta. Estás dentro
E o alcácer abarca o universo
E não tem nem anverso nem reverso
Nem externo muro nem secreto centro.
Não esperes que o rigor de teu caminho
Que teimosamente se bifurca em outro,
Tenha fim. É de ferro teu destino
Como teu juiz. Não aguardes a investida
Do touro que é um homem e cuja estranha
Forma plural dá horror à maranha
De interminável pedra entretecida.
Não existe. Nada esperes. Nem sequer
A fera, no negro entardecer.
J o r g e L u i s B o r g e s é poeta, argentino. Nascido em 1899 na cidade de Buenos Aires. É considerado o maior poeta argentino de todos os tempos e, sem dúvida, um dos mais importantes escritores da literatura mundial. Possui lançados os livros “O Aleph”, “História Universal da Infâmia”, “O Livro dos Seres Imaginários”, “Elogio da Sombra”, dentre outros.
Escrito por Bioque Mesito às 10h42
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atrai até si
o inseto que se
distrai
quanto menos
dele dista, mais
o hipnotiza
quando, imprevista, dispara
sua língua-raio para
(adesiva) capturá-lo
e o engole
antes mesmo
de matá-lo
minha
companhia
de trabalho
A r n a l d o A n t u n e s é poeta, músico, paulista. Nascido em 1960. Possui publicados os seguintes livros “Ou E”, “Tudos”, “As Coisas” e “Palavra Desordem”.
Escrito por Bioque Mesito às 10h34
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[ i n s t a l a ç ã o t e r r e s t r e p a r a b i o q u e m e s i t o ]
A vida não guarda segredo
Velho, irmão, moça que dá e não pede
A vida não está guardada
A ponta dos meus dedos
Batem numas letras que são
Coisas diferentes, inaugurando
Cada uma delas um mundo diferente
Olho para essas letras, tecla de computador
E cismo na vida, cismo nas moças que dão
E não pedem, cismo no meu velho corpo
Cismo no meu irmão que não nasceu
Não atino com o sentido da vida
Nem mesmo entendo porque tanta procura
A vida nos procura
No amor, no leito de morte,
Ela vai sorrindo a todos e dizendo: tudo bem?
F e l i p e U c i j a r a é poeta, maranhense. Poeta da mais recente safra da poesia maranhense. É estudante de História na Universidade Estadual do Maranhão. Vencedor do 18º Festival Maranhense de Poesia da Universidade Federal do Maranhão. www.centrovelhodavida.zip.net
Escrito por Bioque Mesito às 10h22
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[ t e m p o s m o d e r n o s II ]
E vamos sangrando nas ruas
suor dos esquálidos sonhos.
Nada se perderia
se ouvidos e lábios.
Mas o relógio assegura
a estagnação dos gestos
espontâneos.
E a máquina a máquina a máquina
não pode parar.
E gotejamos nosso sonho ferido
em seus labirintos
e nem já não sabemos
se felizes ou autômatos.
M o r a n o P o r t e l l a é poeta, piauiense. Nascido em Piripiri em 26 de novembro de 1956. Aos 9 anos mudou-se para Caxias-MA. A partir de 1973 muda-se para São Luís-MA, fixando moradia. Possui lançados os livros de poesias “Cavalo-Marinho” e “Itinerário do Caos”.
Escrito por Bioque Mesito às 10h16
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[ d e c l a r a ç ã o ]
o poeta não dança na ciranda financeira
nem sabe conduzir um táxi
porque não apresenta solução
para o país em queda
mas sabe fotografar o futuro
com suas lentes de aumento
porque olha através do infinito
e registra no escuro
a lágrima que ficou por dentro
E d u a r d o C a n a v i e i r a é poeta, maranhense. Nascido em São Luís em 19 de janeiro de 1971. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Maranhão. Participou na década de 90 do Grupo Poeme-se. Possui lançado o livro de poesias “Alguma Trilha Além”.
Escrito por Bioque Mesito às 10h05
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[ c o t i d i a n o d e u m p o e t a ]
acordo às nove e meia da manhã
com os olhos no sol que dormiu comigo
pego um copo com água
me olho no espelho escovo os dentes
me sento em uma mesa
como um pão com chocolate frio
aos poucos vou me sentindo no mundo
minuciosamente vou em direção ao quarto
observo a velha máquina de escrever
arrumo algumas folhas e começo a trabalhar
a mesma cor metafísica de sempre
a névoa começa a dançar em meus neurônios
me sinto como se estivesse com ressaca
tento estralar os dedos como forma de abstração
uma pessoa me telefona está tudo bem
volto |